sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Minha decepção

Cheguei em casa e minha tia disse que havia uma visita surpresa pra mim, pensei em um milhão de pessoas, mas não era nem uma delas, era você! Você com um sorriso maravilhoso olhando pra mim com aquela cara boba de sempre. Não é possível, você! Meu coração acelerou tanto que eu fiquei travada, não sabia se ia ou se vinha, te abracei, te agarrei e desejei aquele momento parado pra sempre. E juntos, tivemos um dia maravilhoso, rindo, brincando, conversando, entre outras coisas, mas esta aí uma pergunta que não queria sair da minha cabeça
- porque você voltou?
- eu li no seu Orkut quando você colocou “o meu sorriso só é feliz contigo”. Eu sei que é pra mim, e eu quero o seu sorriso sempre feliz.
- e ela?
- ela não é você, e isso faz total diferença
(...)
Meu celular começou a tocar. Arrumei minha coberta. Porra, cadê o celular? O barulho de celular tocando começa a me incomodar. Porra, cadê a merda do celular? Viro pra um lado. Viro pro outro. Achei! - Alo?
- Tu tu tu tu

04h57min de madrugada.
Só um sonho. Só mais um sonho.
Aos poucos eu percebo o quanto eu te idealizei todo esse tempo, até mesmo em meus sonhos, deve ser o charme todo de nunca ter dado certo, de saber que nunca vai dar certo, de ter você ausente e presente em minha ao mesmo tempo. Inventei ,te transformei em outra pessoa. Deve ser por isso que ninguém conhece o você que eu conheço, não é porque você seja diferente comigo, e sim porque o ‘meu’ você não existe, é uma invenção, o amor da minha vida na verdade não existe. E isso é frustrante porque eu sei o quanto eu lutei, quantas coisas eu superei, quantas pessoas eu deixei, quantas vezes orgulho eu já engoli só pra ir atrás de você. E quantas eu vezes eu não me humilhei por você? Quantas vezes eu já te defendi, colocando meu corpo a frente do seu pra enfrentar as outras pessoas? Quantas vezes eu já disse que estavam todos errados, enquanto o errado era você? Quantas vezes eu já acreditei no seu sim, mesmo você mostrando pra mim que era um não? E quantas vezes eu chorei baixinho antes de dormir, pra ninguém ouvir... Porque eu sei que se ouvissem eu levaria bronca, afinal, como você consegue amar uma pessoa assim? Como você consegue fazer isso comigo depois de tudo que eu já fiz com você? Eu tenho medo de ser fraco o suficiente pra te perdoar de novo, medo de ir atrás de você depois de ver um filme de romance, medo de achar que pode dar certo, medo de cair na peça que a minha própria cabeça fez comigo.
E se você me amasse tanto quanto já julgou amar, agiria diferente. Mas no final das contas, me amando ou não, o covarde da historia será sempre você, porque eu sei que mesmo errando, eu tentei muitas vezes, mas tentar, infelizmente, não significa conseguir.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Foi tarde

Eu nunca acreditei que poderia presenciar tal fim, jamais imaginei que tudo iria ser assim. Se dar por vencido, por perdido, por esquecido e pisoteado. Por inúmeros motivos eu te olhei nos olhos bem mais de uma vez, mas nenhuma das vezes eu senti seus olhos me retribuindo algum calor. Seus olhos diziam um frívolo adeus, suas mãos eram tremidas ao me tocar, seus lábios condenavam palavras malvadas.Apenas nunca achei que chegaria a isso. A essa distância tão bizarramente estúpida, a esses conflitos tão bizarramente silenciosos. Eu nunca mereci isso, eu nunca ousei merecer. Nunca magoei você, apenas o seu maldito orgulho. Maldito orgulho, que pelo julgamento de muitos, você não tem moral o bastante para ter. Ou melhor, nem moral você tem.O vestígio restante de seus cheiros e de seus beijos. O vestígio de nós dois, está indo embora agora.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

alguma forma

Não é prático? Não gostar, não se apegar e depois ir embora. Voltar mais tarde ou nem voltar, na realidade, nem se importar.


Seria difícil ou fácil ser assim? Medo de perder, medo de não ser o bastante ou ser até demais.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Acordei com Lucy gritando dizendo que eu estava atrasada e precisava levantar logo, fiquei um bocado nervosa, odeio que me acordem dizendo que estou atrasada. Levantei da cama, abri meu celular e ah, mas o que há? Hoje sábado, ' me deixa em paz Lucy, hoje é sábado, tenho o direito de dormir até a hora que me der vontade ... '
' Mas patroa, hoje é o dia do seu casamento, você precisa se arrumar '
Dia do meu casamento? Como assim? Quando? Com quem? Balancei minha cabeça e tentei pensar no que estaria acontecendo. Eu nem tenho namorado, como eu estaria me casando? Tenho um rolinho aqui, outro ali, mas nada sério, nada que poderia se tornar em um casamento, e agora isso? Lucy só poderia estar de brincadeira! Voltei para cama e me virei quando me deparei com um vestido branco, maravilhoso. Mas que merda é essa? 'Lucy, quem vai casar?' Escutei uma gargalhada alta, irritante... Lucy estava sendo ironica, e provavelmente não responderia minha pergunta, assim como não responde a nenhuma outra. Analisei lentamente o meu quarto e percebi que minhas roupas estavam em malas arrumadas, todas elas. Salto, pulseira, véu, grinalda. Estava tudo ali, pra mim. Eu estava dentro de um quarto de noiva, e o pior de tudo, é que era o meu quarto! Sentei na cama, coloquei as mãos na cabeça e tentei me lembrar do que havia acontecido ontem, nada! Não me lembrava de nada que poderia ter acontecido nesses últimos dias. Amnésia no dia do seu casamento, era normal? Ah, mas podia ser só brincadeira, meus amigos com certeza estavam fazendo essa brincadeira de mau gosto comigo; No entanto... quem teria de coragem de gastar uma nota montando todo o cenário? Será que o vestido de noiva é de alguma das minhas amigas que já se casara? Não! Fui madrinha de todas as minhas amigas mais chegadas, tenho certeza que nenhuma nunca havia usado esse vestido, era tão lindo, eu com certeza lembraria. Perguntei a Lucy sobre o meu suposto marido, e ela disse que ele estava em sua casa, se arrumando e que eu deveria fazer o mesmo. Tentei perguntar a Lucy sobre o nome do meu noivo, e tive que ouvir sua risada ironica novamente, procurei por fotos, mensagens, algum sinal em algum lugar da casa, nada! Eu só precisava saber o seu nome, não conseguia pensar em nenhum. Mentira. Não consegui pensar em UM, pensava em vários ao mesmo tempo... Luis? Gabriel? Bruno? Lucas? Vítor? Rodrigo? Quem, meu Deus?
Pior... poderia ser alguém que eu sequer conheço. Deitei na cama e fiquei com o olhar longe, eu não poderia me casar com alguém que eu não conhecesse. Como ele reagiria quando eu dissesse que não me lembrava dele? Isso era um pesadelo. A campainha tocou, saí correndo e ah, era minha amiga, arrumada, um penteado deslumbrante. Isso estava mesmo acontecendo, mas talvez ela pudesse me ajudar. Contei pra ela o que havia acontecido, mas ela pouco se importou, estava falando junto comigo e brigando por eu ainda não ter me arrumado, me empurrou pra baixo do chuveiro e fechou a porta. Será que ela iria me internar se eu dissesse o que estava acontecendo? Não sei por quando tempo passei em baixo do chuveiro, mas sabia que era muito mais do que eu estava acostumada a ficar. Fui tirada de lá aos gritos, estava todo mundo gritando e me perguntando porque eu ainda não havia me arrumado. O casamento aconteceria em menos de uma hora e meu cabelo estava molhado, não daria tempo para ir ao cabeleireiro arrumar, com certeza, este não seria o casamento dos meus sonhos. Me arrumei, e o vestido era feito exatamente para o meu corpo, eu estava linda, mal me conheci ao olhar o espelho, apesar que mal tive tempo para me olhar, minha amiga e Lucy arrumavam meu cabelo as pressas, secando, enrolando, alisando, prendendo, soltando. Elas terminaram tudo em 20 minutos, pra mim durou 2 horas, mas isso não importava tanto. Maquiagem, sapato, acessórios, tudo pronto, encontrei um carro modelo antigo em frente a minha casa, não sei qual era a marca, mas sabia que isso eu havia escolhido, era lindo, era perfeito! Entrei e encontrei com fotógrafos que tiravam fotos a cada movimento que eu fazia. Sou apaixonada por fotos, mas tinha certeza que eu não estava em condições. Chegamos! Encontrei crianças, meus familiares, meus amigos, todo mundo. Aquele suspense estava me matando, fiquei pensando no que aconteceria se eu não conhecesse ele, se era melhor eu sair correndo, se era melhor eu continuar... na verdade, havia pensando em uma forma de fugir o caminho todo, estava tonta, e aqueles flashes não ajudavam muito. Me preparei, as madrinhas já estavam entrando e a música já havia começado. Me arrumei. Ouvi a marcha nupcial começar a tocar, tremi, congelei, as portas se abriram.




Eu entrei.