domingo, 29 de agosto de 2010

Duas doses

Respirei fundo pela ultima vez. Aquele cheiro forte de bebida estava começando a me deixar mais enjoada, continuei fingindo que estava bêbada, como a maioria deles. Era muito fácil fazer isso, aliás, difícil era não fingir. Ele ria alto com seus amigos, como se fizesse questão que todo o bar soubesse que eles estavam ali, mesmo não fazendo diferença nenhuma pra mais ninguem. Mal sabe ele como eu odeio barulho, não que isso fosse fazer diferença, voltariamos para aquele velho papo de que não devemos mudar por ninguem, besteira. As pessoas não suportam certas coisas, e elas acham que vão encontrar alguem que não goste das mesmas coisas que elas, e assim todos os seus problemas estariam resolvidos. Ele acha que eu vou me acostumar com sua voz forte, e eu acho que um dia ele vai começar a falar mais baixo, e dessa forma, vamos durar mais uns dois, talvez três meses, e provavelmente vamos terminar com ele me chamando de vagabunda. E ainda sim, inesplicavelmente eu continuo aqui, sentada neste lugar, com pessoas que sequer gostam de mim, escutando ele contar ao seus amigos os detalhes do jogo de futebol que havia assistido. Resolvi pedir uma dose de tequila, não é uma das minhas bebidas favoritas (sequer tenho alguma), mas iria me derrubar e era essa a intenção. Nunca gostei daquele liquido quente descendo em minha garganta, queimando tudo o que passa pela frente. Sempre me perguntei se era só eu que ficava com vontade de colocar tudo pra fora, mas ainda sim, pedi outra dose. Pra minha tristeza, eles resolveram me acompanhar, isso significava que eu tinha que torcer para que essas duas doses fossem o suficiente pra me fazer dormir e não ter que escutar eles falando mais alto.
A mesma (horrível) sensação. Encostei minha cabeça e torci para que aquilo acabasse comigo, não me importaria de ter que passar algumas horas no banheiro, seria uma ótima desculpa pra ir embora depois.
Não lembro de muita coisa a partir daí, lembro do meu namorando me carregando no colo e todo mundo ancioso por alguma coisa. Lembro de entrarmos dentro do carro dele. Mãos. Perna. Boca. " Não, boca não " eu gritei. Eu acho que gritei, não lembro. Percebi depois de um certo tempo que havia mais mãos em cima de mim do que o normal. Notei também que meu namorado estava dirigindo, então.. não eram suas mãos, eram?! Senti alguem colocar a mão dentro da minha saia e tirar minha calcinha. "Não", gritei de novo. Eu acho. Encontrei meu namorado sentado ao meu lado tampando a minha boca com a mão (afinal, ele não estava dirigindo?). Não entendi o motivo de tentar me calar, eu não estava falando nada, estava? Senti alguem subindo em cima de mim. Desmaiei. Duas doses de tequila não deixa ninguem assim, deixa?!

Acordei com meu namorado dormindo ao meu lado.
Estavamos no quarto dele. Escutava de longe pessoas conversando na padaria.
07h10.
Deitei novamente.

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